Onde doem as suas emoções?

Por Equipe Keyo

Uma equipe de pesquisadores finlandeses criou o que pode ser o primeiro mapa a apontar em que lugar do corpo as emoções humanas se manifestam.

Da esq. para a dir.: raiva, medo, nojo, felicidade, tristeza e surpresa (Imagem: Aalto University e Turku PBC Centre)
Legenda da foto,Emoções básicas ativam sensações na parte superior do corpo, segundo mapa de cientistas

Os cientistas da Universidade de Aalto comprovaram que cada emoção desperta reações em diferentes áreas e que isto acontece independentemente do fato de as pessoas terem culturas diferentes.

De acordo com os pesquisadores, o corpo reage desta forma devido a mecanismos biológicos que nos preparam para responder ao que acontece à nossa volta, seja para a defesa ou para desfrutar da situação.

Cientistas criam ‘mapa corporal’ das emoções

“As emoções não ajustam apenas a nossa saúde mental, mas também nossos estados corporais. Desta forma, nos preparam para reagir rapidamente frente aos perigos, mas também diante de qualquer oportunidade que o ambiente nos ofereça, como uma interação social prazerosa”, disse Lauri Nummenmaa, professora de neurociência e líder da equipe de cientistas.

Os autores do trabalho, publicado na revista especializada PNAS, afirmam que o mapa físico emocional tem bases biológicas e é universal.

Pelo corpo todo

Para o estudo, os cientistas realizaram cinco experimentos com 701 pessoas.

Os voluntários deveriam localizar em que lugar sentiam o efeito de uma série de emoções básicas como raiva, medo, nojo, felicidade, tristeza ou surpresa, e outras mais complexas como ansiedade, amor, depressão, desprezo, orgulho, vergonha e inveja.

Os participantes tinham que colorir em uma figura humana as zonas que se ativavam mais ou menos enquanto ouviam as palavras que designam cada uma destas emoções.

O mapa completo (Imagem: Aalto University e Turku PBC Centre)
Legenda da foto,Da esq. para a dir. e de cima para baixo: raiva, medo, nojo, felicidade, tristeza, surpresa, neutro, ansiedade, amor, depressão, desprezo, orgulho, vergonha e inveja

O vermelho era usado para marcar as áreas de maior atividade e o azul, as com menos sensações.

Os cientistas então observaram uma grande coincidência, acima de 70%, das áreas coloridas.

É possível observar no mapa criado pelos pesquisadores que as duas emoções que causam uma reação corporal mais intensa e em todo o corpo são o amor e a alegria.

Também é possível ver que, no geral, todas as emoções básicas ativam sensações na parte superior do corpo, onde estão os órgãos vitais. E principalmente na cabeça.

“Observar a topografia das sensações corporais disparadas pelas emoções permite criar uma ferramenta única para a investigação das emoções e pode até oferecer indicadores biológicos de transtornos emocionais”, afirmaram os cientistas em seu estudo.

Os cientistas também fizeram outros quatro experimentos com os voluntários, envolvendo fotografias, imagens, filmes e relatos que tentavam transmitir a eles as emoções em questão. E, para garantir que estes mapas não dependiam da cultura ou língua dos voluntários, os cientistas repetiram os exercícios em três grupos diferentes: finlandeses, suecos e taiwaneses. Mesmo em grupos de nacionalidades diferentes, os cientistas observaram as coincidências e, por isso, concluíram que as respostas físicas às emoções parecem universais.

Para Danilo Faleiros, psicólogo do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, a psicossomatização – termo que expressa a concepção de que sintomas físicos têm origem na mente e vice-versa – é um contraponto para a visão de que só a parte biológica e os hábitos afetam a saúde do indivíduo. Hoje, estuda-se como as emoções podem influenciar tanto na definição de comportamentos de riscos (nossos hábitos de vida) como também diretamente (por mecanismos neuroendócrinos), em doenças como o câncer e o diabetes, além de problemas gastrointestinais, respiratórios e cardiovasculares.

E há mais elementos que interferem nessa equação. “Hoje, com a tecnologia, vemos que somos muito mais do que um corpo que funciona de forma programada e independente”, explica Danilo. “Somos seres multidimensionais e em constante transformação. Não se trata apenas de aspectos físicos ou psicológicos. Essas dimensões associadas às questões sociais e espirituais são capazes de influenciar inclusive no funcionamento dos nossos genes, do nosso DNA – as chamadas alterações epigenéticas.” O estudo contemporâneo da psicossomatização mostra que problemas de ordem psíquica podem se aliar a outros aspectos sociais para compor um diagnóstico. Faleiros exemplifica: uma pessoa que deixa de se alimentar adequadamente ou se queixa de dor de estômago pode ser geneticamente mais suscetível a exacerbar preocupações, o que pode influenciar diretamente no funcionamento do estômago. “E o problema se retroalimenta: a preocupação causa a dor de estômago que, por sua vez, gera ainda mais estresse”, explica o psicólogo. Em ambientes de muita pressão, como os grandes centros urbanos, esses sintomas se intensificam ainda mais, contribuindo para o quadro.

AMOR: Os sinais que a mente dá no corpo do apaixonado são tão clássicos que viraram até lugar-comum de desenho animado. Sudorese, redução de apetite, frio na barriga, batimentos cardíacos acelerados são alguns dos sintomas que indicam que o amor chegou.

MEDO: Quando as coisas não vão bem, o corpo também se manifesta – desta vez, sem a intensidade do coração acelerado e da respiração ofegante, mas, nem por isso, com sintomas mais amenos. Mudanças no apetite e no peso, fadiga, dores na cabeça e no corpo, tensão na nuca e nos ombros e até imunidade baixa podem fazer parte do quadro de tristeza.

FELICIDADE: Vem acompanhada por uma série de hormônios, como a dopamina e a endorfina. Como a maioria das emoções, também altera os batimentos, mas com uma sensação de euforia que “esquenta” o corpo todo

ANSIEDADE: Frio na barriga ou até dor de estômago são sintomas bem comuns para os ansiosos. Essa emoção pode causar também taquicardia, redução do apetite, boca seca, respiração ofegante, falta de ar e náusea.

TRISTEZA: Quando as coisas não vão bem, o corpo também se manifesta – desta vez, sem a intensidade do coração acelerado e da respiração ofegante, mas, nem por isso, com sintomas mais amenos. Mudanças no apetite e no peso, fadiga, dores na cabeça e no corpo, tensão na nuca e nos ombros e até imunidade baixa podem fazer parte do quadro de tristeza.

RAIVA: A ira gera uma descarga intensa de sensações – não é para menos, já que o corpo entende que precisa se preparar para uma batalha. Um ataque de fúria pode durar pouco, mas provoca uma verdadeira revolução: coração disparado, suor, fluxo intenso de sangue para a cabeça e para as mãos e mandíbula cerrada. Em casos mais intensos, pode ocorrer até perda de visão periférica.

Nossas emoções se desenrolam em uma linha do tempo. Tal linha começa com um gatilho que leva a uma experiência emocional, e por fim resulta em uma resposta. Tente escolher emoções distintas nesta lista da Linha do Tempo. Perceba como o mesmo gatilho pode levar a diferentes respostas, dependendo da emoção que sentimos.

Fontes: Cientistas finlandeses criam ‘mapa corporal’ das emoções – BBC News Brasil, O mapa das emoções | Hospital Alemão Oswaldo Cruz (hospitaloswaldocruz.org.br), The Ekmans’ Atlas of Emotions, Linguagem Corporal. Mapa das Emoções. Como Acontecem, quais são? (andrerossiter.com.br)